Decisões
Publicado por Walter e arquivado em Comportamento, Sociedade, tags: decisões, escolhas, ética, moral, xadrez
Certo e errado.
Em suma, cada um tem que suportar as consequências daquilo que escolhe.
Mas deve-se levar em consideração que escolhas são baseadas em decisões menores, decisões essas, baseadas em seu caráter, personalidade (que pode mudar de acordo com o seu ambiente/sociedade, etc), experiências de vida, etc, etc.
É muito complicado dizer se você está certo ou errado. É necessário ser essa pessoa. É impossível julgar uma decisão por certa ou errada se os motivos não são totalmente conhecidos. E nesse ponto, só podemos acreditar no que é dito por quem tomou essa decisão.
Existem alguns tipos de noção que nos ajudam a estruturar nosso caráter em relação ao certo e errado. São até bem conhecidos mas pouco bem interpretados. São eles a Moral e a Ética.
Moral é justamente o que as pessoas a sua volta pensam do que você faz, e ética, o que você acha do que a sociedade faz.
Exemplo rápido: Roubar é crime. Nossa moral condena o ato de roubar como crime. Mas e roubar para comer? Não é crime, pois é ético. Você sabe que uma pessoa não vive sem comer, então não faz sentido condenar alguém por roubar por necessidade.
É possível perceber que o ato de roubar é uma escolha. No caso do exemplo acima, baseados apenas em moral e ética. Mas e se a decisão precisa de algo a mais. Por exemplo, o caráter.
Um garoto passou a vida toda sendo motivo de chacota no colégio, isso o transformou em uma pessoa que não consegue suportar pessoas que fazem esse tipo de brincadeira. Com isso, ele desenvolveu uma personalidade que encara isso com bom humor. Mas ele nunca revela aos seus amigos as gafes que comete, por ter medo de virar chacota novamente.
Neste caso, o ato é o de mentir. Moralmente, mentir é feio, ‘éticamente’, depende. Nesse caso, se você não conhece quem conduz o ato de mentir, o chamaria de mentiroso, mas e se você fosse o tal garoto? Gostaria de sentir na pele novamente tudo que mais odiou durante o colégio? É um mecanismo ético de auto-defesa que dispara, pulando o certo e errado (partindo do moral e ético) e atingindo sua personalidade, baseados também em experiências passadas.
Uma escolha é como um movimento de um jogador inexperiente no xadrez (digo inexperiente pois ninguém ainda viveu mais de uma vez para aprender na prática). É claro que a medida que crescemos, nossas decisões (jogadas no xadrez) são mais cautelosas, mas mesmo assim, não sabemos exatamente o que vai acontecer. Talvez seja possível ter uma vaga idéia, já que em outras experiências (jogadas anteriores) foi possível absorver algo de bom ou ruim do ocorrido.
Claro que existem tipos de decisões que vão contra todos os princípios éticos e morais de nossa vida, e que não precisam de consulta a histórico de vida ou características de personalidade ou até mesmo do tipo de caráter. Matar alguém por um jogo virtual é injustificável. Mesmo que esse jogo represente muito, é necessário ter discernimento do que é realidade e fantasia.
Quando se leva em consideração todos os fatos, o que menos foge de ser uma decisão que possa causar algum tipo de revés, é pensar de forma híbrida. Levando em consideração as pessoas ao redor, o quanto as conhece e o quanto das consequências dessa decisão você é capaz de suportar.
As vezes uma decisão pode acarretar na decisão de outras pessoas e isso pode, por exemplo, acabar com relacionamentos ou fazer você perder um emprego.
Toda decisão certa, tem seu lado errado e toda decisão errada tem seu lado certo. Só depende do ponto de vista.
Julgar as decisões de alguém é uma tarefa muito difícil. Afinal, julgar também é um ato que pode ser julgado.

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