Amor versus Amor
Publicado por Walter e arquivado em Comportamento, Sociedade, tags: amor, diferenças, homem, mulher, tipos de amor
Uma expressão muito conhecida, e até muito bem aceita por todos, é aquela que diz que homem é tudo igual. Homem sempre pensa só “naquilo”, é machista, não liga pros sentimentos das mulheres, prefere os amigos a esposa, enfim, infinitas opções deixam todos os homens num mesmo patamar, todos nivelados por baixo. Uma das coisas com as quais os homens se diferem das mulheres é a questão sentimental. Mulheres agem mais com o coração, já os homens, com a cabeça (tá, eu sei no que você pensou) e tendem a considerar o amor uma simples equação matemática, onde cada número é um elemento do relacionamento, como respeito, confiança, etc. Mas, o homem não faz isso só de sacanagem, a coisa parece ser maior que isso.
O amor é um sentimento que prende, no final das contas. Acabamos por abrir mão de diversas coisas (e as perdemos), quando amamos, para não perder uma única coisa, nesse caso, uma única pessoa. Pessoa essa que parece aos olhos de quem ama, perfeita, ótimas qualidades, defeitos pequenos e tudo mais, mas isso num primeiro momento.
Quem já viveu ou vive um relacionamento demasiado sério, pode enumerar diversos e diversos pontos que diferem essa perfeição que é o amor, da vida real. Começando que é muito difícil adequar pequenos costumes. Sempre tem aquela mania que incomoda, aquele detalhe que irrita, aquele espremer de espinha, aquela perna que não para de balançar, aquele banho demorado, aquele bafo… São muitos os pontos e cada um tem suas manias que tem que, muitas vezes, abrir mão para não interferir no relacionamento. E ao mesmo tempo em que esse esforço é realizado, é sempre esperado que a outra parte faça o mesmo, o que causa mais e mais discussões, pois nunca se sabe o que é mais ou menos importante ou irritante, a minha unha do pé enorme ou a sua toalha molhada na cama.
Aí é que começa a diferenciar o conceito de amor da mulher e do amor para o homem. Nesses tipos de caso, a mulher tende a se dedicar mais, e a se doar mais, suportando assim uma maior parte dessas manias dos homens, que ao contrário das mulheres, luta em não perder nenhum desses detalhes tão importantes que compõe sua viril personalidade. Quando uma mulher deixa de fazer algo por seu digníssimo, as mulheres que a rodeiam normalmente aceitam, já no caso dos homens, os amigos pegam no pé, zoam o cara, chamam de pau mandado, tudo por ele ter feito uma simples mudança na sua viril personalidade.
Esse tipo de problema, em fazer com que o homem se sinta preso a um relacionamento, acabou tornando-se cultural. Se existe um local onde o machismo antiquado se esconde é nesse ponto. Por muitos e muitos anos, o homem da casa, o guerreiro, o mártir, teve que ir perdendo sua essência de caçador e herói, por pequenas coisas da sua viril personalidade que incomodavam as donzelas. Isso foi passando de pai pra filho a algumas gerações, e hoje em dia, grande parte das brigas são sobre saída com amigos (sem a companhia da digníssima), saída com amigas (sem pretensão alguma, claro), beber até ficar alegre, não cumprir tarefas de casa, são pequenos gestos particularmente masculinos que não são aceitos pelo homem, quando suas respectivas querem fazer o mesmo.
Essa herança cultural do relacionamento estável, fez com que o homem relacionasse amar com perder coisas, fruto disso, é que o homem começou a racionalizar o amor quando descobriu que a mulher tende a se doar mais, criando formas de ditar as regras do jogo, assim se a mulher aceitou jogar daquela forma, ele não tem culpa de nada. Isso fez com que a expressão ‘ficar’ aumentasse e muito, justamente porque a regra do jogo era “eu não quero namorar, mas se quiser só ficar, estamos aí”. As mulheres começaram a sair de casa já sabendo qual era a música, só dançavam conforme o ritmo. Para o homem, essa posição é muito confortável, afinal ele não precisa dar satisfações, não precisa necessariamente se tornar um Best friend, e mantém-se na boa com os amigos, e ainda mais, ganha status por quantas ficar. Claro, isso tudo é encaixado em um conceito de uma noite apenas, mas e quando surge na mulher a vontade de passar um tempo com alguém? Nesse caso, as regras do jogo são apresentadas cara a cara. Ela sabe que é um jogo, mas se a vontade de ficar é maior que não jogar, então, qual é o problema?
Vale lembrar que tudo o que eu digo é baseado apenas no que eu vejo e observo. Nada disso tem embasamento psicosociobiológico e também não é A verdade, mas uma opinião baseada em MAIORIAS criadas por MIM e poderá não ser aceita por todos.

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